Um compromisso formal do partido
A resolução foi adotada após o discurso do presidente da legenda, Markus Söder, segundo o comunicado da CSU sobre o congresso. O partido publicou a íntegra do texto, dedicado à defesa da democracia e da liberdade e à construção do futuro. Isso permite avaliar o compromisso além das declarações feitas no palco.
A União Social Cristã é a parceira bávara da União Democrata Cristã na aliança conservadora alemã. A resolução estabelece uma posição partidária. Não é uma nova lei, uma decisão judicial ou uma ordem obrigatória para a polícia, e não cria outro tipo de crime.
O documento começa com um compromisso contra o antissemitismo, o racismo e as violações da dignidade humana. Define o pertencimento à sociedade pelo respeito à ordem jurídica, pela responsabilidade e pelos valores comuns, e não apenas pela origem. A proteção dos judeus aparece, assim, dentro de uma concepção mais ampla de cidadania e igualdade.
O mesmo critério para diferentes campos
A referência mais explícita ao antissemitismo está na discussão sobre partidos radicais. O texto afirma que a esquerda radical merece o mesmo escrutínio aplicado à direita radical e acrescenta que não cabem concessões diante do antissemitismo. A identidade política não oferece uma exceção à regra anunciada.
O documento também estabelece um limite diante do extremismo islamista, além das ameaças vindas da esquerda e da direita. Os critérios declarados são dignidade humana, Estado de Direito e ordem democrática. A hostilidade contra judeus não é reduzida ao conflito no Oriente Médio ou a uma única comunidade de imigrantes.
Outro trecho afirma que a CSU não formará maiorias à custa de seus princípios nem dará legitimidade a extremistas. A orientação trata de cooperação e conduta políticas. Seu efeito concreto dependerá das decisões posteriores do partido; a aprovação não demonstra, sozinha, uma mudança nas condições fora do congresso.
Firmeza acompanhada de provas
A resolução inclui uma ressalva explícita contra rótulos indiscriminados. Uma opinião contundente não é necessariamente extremista, e uma crítica ao Estado não é automaticamente antidemocrática. A avaliação proposta considera objetivos, declarações e ações, com a exigência de uma base factual.
Essa distinção estabelece limites para acusações no debate público. O documento não oferece uma nova definição jurídica de antissemitismo nem decide como classificar cada crítica à política israelense. Combina um compromisso político com a obrigação de fundamentar afirmações sobre pessoas.
Em relação à AfD, a CSU rejeita a cooperação, mas também se opõe à abertura de um processo para proibir o partido. Cita barreiras jurídicas, duração imprevisível e o risco de lhe conceder uma suposta condição de mártir. São avaliações da CSU, não conclusões judiciais sobre a legalidade da AfD.
O contexto da relação com Israel
A resolução vem após uma declaração separada do porta-voz parlamentar de política externa da CDU/CSU, Jürgen Hardt, em 5 de outubro de 2026. Hardt defendeu o apoio alemão à segurança de Israel diante de ameaças terroristas e a continuidade da aproximação com países muçulmanos pelos Acordos de Abraão.
A mesma declaração apoiou uma perspectiva política para os palestinos que não ameaçasse Israel e criticou a política de assentamentos. Esse contexto mostra que apoiar a segurança israelense não significa endossar todas as decisões de seu governo. Os textos têm datas, órgãos emissores e naturezas diferentes.
A novidade é uma resolução detalhada que une a rejeição do antissemitismo em diferentes campos políticos à exigência de provas. Ela não anuncia novas estatísticas criminais nem recursos adicionais de proteção. Estabelece um parâmetro público pelo qual a conduta futura do partido poderá ser avaliada.