Um representante do Hezbollah disse à agência que uma quantia havia sido obtida e que o plano de distribuição seria anunciado nos dias seguintes. Não informou o valor nem a origem do dinheiro, deixando sem confirmação os principais detalhes apresentados pelas outras duas fontes.
Pagamento proposto para famílias sem condições de voltar
As fontes descreveram um pagamento inicial de 3 mil dólares por família, com prioridade para moradores de vilarejos destruídos ou inacessíveis por causa da guerra. Uma delas estimou que esse grupo reunia cerca de 50 mil famílias. Os números se referem à assistência proposta, não a pagamentos comprovadamente recebidos pelos beneficiários.
A promessa surge em meio a grandes necessidades entre a população que apoia o Hezbollah. A Reuters relatou que centenas de milhares de libaneses foram deslocados depois que a organização entrou na guerra em apoio ao Irã, em 2 de março de 2026. Entre os seus apoiadores deslocados, a ajuda recebida do grupo havia sido pequena ou inexistente, segundo a agência.
Um plano público permitiria conhecer os critérios de acesso e o calendário dos pagamentos. A declaração do representante não trouxe essas informações nem um compromisso público com o valor proposto por família.
Taxa de 20% e caminho não revelado
As duas fontes disseram que os intermediários cobraram uma taxa de 20% devido aos riscos de negociar com o Hezbollah. Uma delas descreveu o percentual como quatro vezes superior ao habitual. Nenhuma identificou os intermediários ou explicou como o dinheiro chegou ao Líbano.
Também não ficou claro se os 200 milhões de dólares correspondem ao valor antes ou depois da cobrança, ou se a taxa foi paga separadamente. Portanto, não é possível calcular quanto estaria disponível para distribuição com base apenas nos números divulgados.
Uma fonte descreveu obstáculos crescentes ao uso de empresas financeiras no Iraque, em Dubai e na Turquia. Não afirmou, porém, que esses locais fizeram parte da rota dessa transferência. O relato das dificuldades não identifica o percurso efetivamente utilizado.
Washington apresenta uma versão contrária
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, negou a existência do dinheiro mencionado e acusou o Hezbollah de divulgar relatos falsos sobre financiamento iraniano para preservar sua imagem. O Tesouro também contestou a capacidade financeira do Irã.
Pigott afirmou que Washington continuaria atingindo as finanças do Hezbollah com sanções, enquanto apoiaria a capacidade do governo libanês de reconstruir o sul. A resposta questionou diretamente a suposta transferência, em vez de apenas condenar o apoio iraniano à organização.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã, a missão iraniana em Genebra e o governo libanês não responderam imediatamente à Reuters. A ausência de resposta imediata não confirma a versão das fontes.
Pressão sobre o financiamento e custo da reconstrução
O Hezbollah é uma organização terrorista designada como tal pelos Estados Unidos desde 1997. Em novembro de 2025, o Tesouro americano afirmou que a Força Quds iraniana havia transferido mais de 1 bilhão de dólares ao grupo desde o início daquele ano, principalmente por meio de casas de câmbio. O órgão sancionou operadores acusados de facilitar o financiamento.
Esse histórico explica o contexto da pressão americana, mas não comprova a transferência relatada em setembro nem identifica seus canais. A finalidade declarada de ajudar deslocados também não estabelece como os recursos serão usados.
A Reuters lembrou que o Hezbollah distribuiu dinheiro e participou da reconstrução após a guerra de 2006. As necessidades atuais são amplas: o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, estimou em setembro que reconstruir após as duas guerras desde 2024 poderia custar mais de 27 bilhões de dólares. Para as famílias à espera de ajuda, o próximo passo concreto seria um plano com critérios e datas, seguido dos pagamentos.