As decisões tratam separadamente das listas eleitorais e dos candidatos. O Balad permanece na Lista Conjunta, portanto a saída de Abu Shehadeh não significa que seu partido esteja proibido de participar da eleição.
As listas poderão concorrer
The National e Financial Times informaram que a Corte rejeitou os argumentos apresentados para excluir as duas listas árabes. O Raam é liderado por Mansour Abbas; a Lista Conjunta reúne Hadash, Balad e Taal.
O tribunal também restabeleceu a candidatura do deputado Ofer Cassif, do Hadash. Segundo o The National, sete dos nove juízes apoiaram sua participação e dois se opuseram. A votação sobre sua candidatura teve, assim, um resultado diferente da votação referente às listas.
Abu Shehadeh retira a candidatura
O processo envolvendo Abu Shehadeh se concentrou em um artigo sobre o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. A Reuters informou que os juízes consideraram suas declarações profundamente condenáveis e sinalizaram uma provável maioria pela exclusão. Ele negou que o texto apoiasse o ataque.
A retirada ocorreu antes de uma decisão definitiva sobre sua candidatura. Segundo a Reuters, isso deixou a questão sem objeto. A diferença é relevante: retirar uma candidatura após um alerta judicial não equivale, em termos processuais, a uma decisão final de desqualificação.
A disputa sobre participação política
O The National relatou que os pedidos de exclusão alegavam, entre outros pontos, rejeição do caráter judeu e democrático de Israel, apoio à luta armada contra o país e incitação ao racismo. Os partidos rejeitaram as acusações. A Corte considerou insuficientes os argumentos para impedir a participação das listas.
Abu Shehadeh apresentou o processo como parte de uma tentativa mais ampla de restringir a atuação política árabe. O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, comemorou sua saída, segundo a Reuters. Essas reações expressam posições políticas, e não conclusões adicionais estabelecidas pelo tribunal.
A decisão nas urnas ainda virá
O julgamento define quem pode competir, não quem conquistará cadeiras ou formará governo. O Financial Times destacou que os partidos árabes poderão ganhar importância nas negociações de coalizão se nenhum dos principais blocos alcançar maioria parlamentar.
A votação está prevista para 27 de outubro. O efeito imediato é permitir que a Lista Conjunta, o Raam e Cassif continuem suas campanhas, enquanto Abu Shehadeh não concorrerá. O apoio eleitoral, a participação dos eleitores e as negociações posteriores permanecem indefinidos. A decisão judicial não cria compromissos de coalizão entre os partidos habilitados a disputar o pleito.